Uma vez e não faz tanto tempo, me falaram que eu levava a vida meio que na brincadeira. Que eu estava sempre sorrindo, fazendo dos meus piores dramas, as melhores piadas. Que eu caía na noite, levando rente ao meu corpo todo um ar de leveza, de diversão. É como se a minha vida fosse um filme ou uma facção de milhares de filmes interligados e sobrepostos. E ainda assim, é como se ela fosse outra coisa completamente diferente. Não sei direito se isso é bom ou ruim. É algo que me faz bem em certas horas, é algo até bastante natural e ao mesmo tempo é algo que está fora do meu controle para com as pessoas em minha volta. Muitas não entendem de fato. Mas não tenho culpa se chego na faculdade, olho para cima e fico admirando um pássaro qualquer, enquanto todos os outros estão preocupados porque perderam a chamada. Mas não se enganem, eu também me preocupo. Não o tempo todo, mas eu me preocupo. Só não corro aos mil ventos gritando isso, nem coloco em nicks de msn, menos ainda publico num fotolog com uma lágrima fake escorrendo do meu rosto. Provavelmente são poucas pessoas que conseguem enxergar todos os meus lados, todas as minhas possibilidades. Pelo bem ou pelo mal delas. E cada caminho díspar desse se esboça tão perfeitamente quanto os outros. Não costumo escolher entre um ou o outro, eu termino correndo por entre todos.
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Uma vez e já fazem alguns anos, me falaram que um dia eu me cansaria dos detalhes, que meus olhos iam se tornar dormentes. Os pássaros já não seriam notados e as piadas se tornariam raras. Me falaram que a brincadeira chegaria ao fim e que a noite logo perderia sua graça. É como se alguém entrasse na sala de projeção e acendesse as luzes no meio do filme. Ás vezes eu penso quando isso vai acontecer, penso que eu deveria estar preparado para, mas não estou de fato. E se a lâmpada já está ligada, sem dúvida, estou tampando meus olhos com as mãos, a espera da próxima seqüência de imagens. Ou posso estar dormindo, as projetando em meus sonhos. O tempo passa, as pessoas mudam. E não há frase nesse texto que seja mais redundante. O tempo passa e o mundo nos sobrecarrega de menos tempo a todo o momento. São os amigos que quase não se vêem ou os namoros que não se sustentam pela distância. E é incrível a dualidade de certas coisas. Eu tava lendo uma carta antiga que tinha aqui, que eu devo ter mandado pra um amigo há uns três anos atrás e vi o quanto ainda somos os mesmos por trás dessa maquiagem pesada. E o quanto estamos diferentes mesmo sem máscara alguma. Parece contraditório, mas aos meus olhos de criança fazem um estranho sentido. É como dizem por aí: o lado direito do meu cérebro não está no lugar certo. =P
Estou de volta e tentando me reacostumar. =]